sábado, 11 de maio de 2019
terça-feira, 7 de maio de 2019
Qual a cor do tênis?

A neurocientista Claudia Feitosa Santana, que atuou como Professora Visitante entre 2016 e 2018 aqui na #UFABC, fala sobre a recente polêmica da cor de um tênis: Cinza com verde? Ou rosa com branco? Confira a explicação abaixo:
"Essa ilusão não tem nada a ver com cérebro direito ou esquerdo, explicação totalmente fake news. A verdadeira explicação está em como nossos cérebros lidam com as mudanças de luz no nosso cotidiano, muito longe da dicotomia tentadora de rotular as pessoas em razão versus emoção. A luz ambiente muda o tempo todo, seja quando entramos numa garagem ou saímos de casa ou mesmo quando as nuvens se modificam no céu. Nosso cérebro evoluiu de forma que descontamos a mudança na iluminação para que o mundo fique um pouco mais estável para a gente, ou seja, um mecanismo que nos traz um pouco de estabilidade porque, caso contrário, os objetos mudariam de cor várias vezes ao dia e seria bem desconfortável pra gente. Em geral, nossos cérebros fazem esses cálculos de forma parecida, mas quando fazemos de forma muito diferente nos chama bastante atenção e esse é o caso do #thedress e agora desse tênis - alguns descontam a luz de forma que vêem verde/azul e cinza/bege e outros vêem rosa e branco. Portanto, a explicação está na forma como interpretamos a luz e não no lado do cérebro. E manipular a luz da tela não resolve para todo mundo. Mais que isso: duas pessoas que vêem o tênis da mesma cor não necessariamente vêem o vestido da mesma cor. E o mais importante de tudo isso: separar as pessoas em cérebro direito e esquerdo é sinônimo de andar na contramão da neurociência. Ser mais razão (ex. lógico) que emoção (ex. artístico) ou vice-versa não tem nada a ver com o lado do cérebro porque ser mais uma coisa que outra ou as duas ao mesmo tempo é o resultado de uma orquestra cerebral que usa os dois lados do cérebro. Na real, somos razão e emoção juntos e a balança pesar mais para um que para outro depende do assunto, do dia, do humor, da fome, etc e tal. A percepção de cores é relativa assim como nossa percepção em geral e fica fácil entender isso se usarmos preço como exemplo. O tênis em questão custa aproximadamente 400 reais. Isso é caro ou barato? Depende da nossa conta bancária! No caso da cor do tênis, tudo depende de como nosso cérebro funciona. Quase todo mundo vê o tênis original como rosa-e-branco, mas o que interessa aqui é a foto do tênis que a maioria percebe verde-e-cinza ou rosa-e-branco, mas tem outras variações como azul-e-bege. E quem tem razão? Todo mundo. A cor é geralmente pensada como uma qualidade do objeto ou da luz, mas isso não é verdade, a cor é uma construção mental determinada por processos neuronais onde a luz é apenas o início desse processo. Nosso cérebro vem equipado com um mecanismo que se chama constância de cor que está o tempo todo descontando as mudanças na iluminação para que a cor dos objetos se mantenha estável. Como isso funciona na foto do tênis? Alguns cérebros assumem que a iluminação é rosada, descontam essa iluminação, percebendo o tênis verde-e-cinza; outros assumem que a iluminação é esverdeada, descontam essa iluminação, percebendo o tênis rosa-e-branco. Esse verde e esse rosa são cores complementares: faça o teste da pós-imagem (fotos dos quadrados) com olhar fixo no centro por 30 segundos e depois olhe para uma parede branca. Como a iluminação na foto é ambígua, ela pode ser vista como esverdeada ou rosada e, por isso, as pessoas acabam vendo cores muito diferentes. Se a iluminação ambígua fosse de cores muito próximas (ex.: azul e verde) a foto do tênis não tinha viralizado. Então, a pergunta que fica: o que os cérebro que veem verde-e-cinza têm em comum? E os cérebros que veem rosa-e-branco? Esse é a mesma pergunta sobre o #TheDress e os artigos publicados (inclusive o meu) apontam para o seguinte caminho: diferentes experiências com a luz durante a infância ou ao longo da vida podem influenciar a forma como nosso cérebro funciona e como percebemos as cores. Teste pós-imagem: Givago Souza." (Claudia Feitosa Santana)
Veja também o vídeo "UFABC em pesquisa T01E01 Neurociências: Percepção Visual" e conheça o trabalho da pesquisadora Claudia Feitosa Santana sobre percepção visual e conheça sua hipótese para explicar o fenômeno viral do vestido: será preto e azul ou branco e dourado?ufabc.net.br/empesquisa01 #Neurociência#DivulgaçãoCientífica
#ImagemAcessível: Imagem de divulgação de texto sobre perpeção de cores de Neurocientista com passagem pela Universidade Federal do ABC. O fundo da imagem é cinza. No topo centralizado temos duas fotos dentro de dois quadrados, ambas as fotos exibem uma mão segurando um par de tênis. No lado esquerdo o tênis tem as cores rosa e branco e no lado direito o tênis tem as cores verde e cinza, no entanto, a perpeção das cores desses tênis pode variar de pessoa para pessoa, conforme explica o texto da postagem que acompanha a imagem. No centro no lado esquerdo, abaixo das fotos, temos um retângulo branco pequeno e dentro dele a palavra "Pesquisa". Abaixo deste retângulo e também das fotos, mais ao centro da imagem temos dois quadrados. O quadrado do lado esquerdo está dividido em outros quatro quadrados de tamanhos iguais, os quadrados do canto superior esquerdo e o do canto inferior direito tem a cor rosa e os quadrados do canto superior direito e do canto inferior esquerdo tem a cor branca. O quadrado do lado direito também está dividido em outros quatro quadrados de tamanhos iguais, os quadrados do canto superior esquerdo e o do canto inferior direito tem a cor verde e os quadrados do canto superior direito e do canto inferior esquerdo tem a cor cinza. Na parte inferior da imagem, temos um retângulo branco, dentro dele o texto "Qual a cor de tênis? Neurocientista com passagem pela UFABC desmistifica teorias populares sobre características dos diferentes lados do cérebro" na cor verde e com texto alinhado à esquerda. No rodapé, no canto inferior direito há um retângulo branco e dentor dele o logo da Universidade Federal do ABC nas cores verde e amarelo.
https://www.facebook.com/ufabc/photos/a.325879979902/10157654292299903/?type=3&theater
segunda-feira, 6 de maio de 2019
Corrente elétrica assume nova definição em maio
Corrente elétrica assume nova definição em maio; confira
Trata-se de uma das quatro medidas do Sistema Internacional que serão redefinidas em 2019
02/05/2019 - 10H02/ ATUALIZADO 10H02 / POR JÉSSICA FERREIRA
COMO AS MUDANÇAS DE MEDIDA AFETARAM SUA VIDA? CONFIRA (FOTO: PIXABAY/READYELEMENTS)O ampere, uma das unidades de medida do Sistema Internacional (SI), vai passar por mudanças a partir de 20 de maio, Dia Mundial da Metrologia. Ele esteve sob o interesse de 60 países durante a 26ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, em novembro do ano passado, quando uma votação unânime determinou redefinições das medidas do ampere (corrente elétrica), quilograma (massa), kelvin (temperatura) e mol (quantidade de substância).
As quatro medidas serão redefinidas com base em constantes da natureza, que são estáveis e imutáveis, a exemplo da velocidade da luz. O ampere é responsável pela medição da corrente elétrica, o que nos permite carregar dispositivos como smartphones ou laptops, por exemplo. Entenda o que muda:
Por que elas serão alteradas?
De acordo com o Laboratório Nacional de Física, no Reino Unido, a redefinição garante estabilidade ao Sistema Internacional, possibilitando medições precisas e avanços nas áreas da ciência e tecnologia, além de abrir oportunidades para o desenvolvimento de novas tecnologias.
Leia também:
+ Bactérias podem estar produzindo eletricidade no seu intestino
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Como ficará o ampere?
Atualmente, a definição formal do ampere diz que ele é a “corrente constante na qual, se mantida em dois condutores paralelos retos, de comprimento infinito, de seção circular desprezível, e colocados no vácuo a um metro de distância, produziria entre esses condutores uma força igual a 0,0000002 newtons por metro de comprimento”.
A curiosidade e o problema dessa explicação é que ela não tem como ser comprovada fisicamente. Com a mudança, o ampere será definido pela carga elementar elétrica, que pode ser testada por aparelhos como a bomba de transporte do elétron único, usada pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST).
O que muda no cotidiano?
Na prática, nada. A mudança do ampere não afeta aparelhos eletrônicos, fiação ou mesmo choques elétricos, mas possibilita medições mais precisas. Os produtos continuarão do mesmo tamanho, mas serão definidos com maior grau de precisão. Isso beneficia a ciência e a indústria, contribuindo para fabricantes de baterias e para tecnologias como das máquinas de ressonância magnética e aceleradores de partícula utilizados pela CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), que poderão fazer cálculos mais precisos.
https://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/05/corrente-eletrica-assume-nova-definicao-em-maio-confira.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post&fbclid=IwAR1GLSs9hZb1sCEI6QmBNmudqN3ZfokhILL3tLpa1MRXvMHS4bEJ3A75JV8
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Físicos confirmam a existência de um novo estado de matéria
A descoberta prova que os estados sólido, líquido ou gasoso não são os únicos.
Até agora, os átomos da matéria física eram compreendidos existindo somente em um dos três estados: sólido, líquido ou gasoso. Mas uma equipe internacional de físicos, liderados pela Universidade de Edimburgo, descobriu que alguns elementos podem, quando submetidos a condições extremas, assumir as propriedades dos estados sólido e líquido.
A aplicação de altas pressões e temperaturas ao potássio cria um estado no qual a maioria dos átomos do elemento forma uma estrutura retiforme sólida. Entretanto, a estrutura também contém um segundo conjunto de átomos de potássio que estão em um arranjo fluido.
“O potássio é um dos metais mais simples que conhecemos, mas se você o apertar, ele forma estruturas muito complicadas”, disse o Dr. Andreas Hermann, da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo e principal autor do estudo.
Até agora, não estava claro se essas estruturas representavam um estado distinto da matéria — chamado de estado de derretimento da cadeia — ou existiam como estágios de transição entre dois estados distintos.
Hermann e colegas usaram poderosas simulações de computador para estudar a existência do novo estado. A simulação de como 20 mil átomos de potássio se comportam sob condições extremas revelou que as estruturas formadas representam o estado estável de derretimento da cadeia.
“Aplicar pressão aos átomos leva à formação de duas estruturas de treliça sólidas interligadas. As interações químicas entre átomos em uma rede são fortes, o que significa que elas permanecem em uma forma sólida quando a estrutura é aquecida, enquanto os outros átomos se fundem em um estado líquido”, disseram os pesquisadores.
“Acredita-se que mais de meia dúzia de elementos — incluindo sódio e bismuto — sejam capazes de existir no recém-descoberto estado.”
Referência:
- HERMANN, Andreas et al. “On the chain-melted phase of matter”; Proceedings of the National Academy of Sciences, 2019.
quarta-feira, 6 de março de 2019
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